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Greta Thunberg e Xiye Bastida criticam Cúpula do Clima: “Custam aceitar que era dos combustíveis fósseis acabou”

Uma jovem sueca e uma mexicana reprovam os poderosos por suas inadequadas respostas à mudança climática e advertem que terão que prestar contas às novas gerações
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Uma jovem sueca e uma mexicana reprovaram as cúpulas políticas e econômicas por suas inadequadas respostas à mudança climática e lhes advertiram que serão obrigados a prestar contas às novas gerações, rompendo com isso a narrativa diplomática e ensaiada de uns 40 mandatários, junto com legisladores, líderes empresariais e banqueiros e até o Papa na cúpula sobre o clima convocada pelo presidente Joe Biden.

“Honestamente, quanto tempo acreditam que as pessoas no poder sairão com as suas?”, perguntou Greta Thunberg no Congresso dos Estados Unidos que em uma audiência era realizada paralelamente à cúpula sobre a mudança climática convocada por Biden

Thunberg, a líder mais destacada e mais modesta de um renovado movimento mundial sobre o clima, é aos seus 18 de anos a porta-voz da consciência de sua geração, comentou diante dos legisladores que ela não era uma política, nem representava ninguém, nem é cientista, “na verdade não tenho nada a oferecer-lhes, mais que instar-lhes que escutem a ciência e usem o senso comum”.  

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Disse que isso implica que se têm que concluir que é necessário “agora mesmo” frear todo o investimento em combustíveis fósseis, sua extração e manter o carbono embaixo da terra. Sobretudo, disse, no caso dos Estados Unidos que é “o maior emissor na história”.

“É o ano 2021, e o fato de ainda estarmos tendo essa discussão e ainda estarmos subsidiando combustíveis fósseis de maneira direta ou indireta é uma desgraça… e comprova que não se entendeu nada da crise climática”

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Assinalou que “pareceria que estamos pedindo muito, e claro, vocês dirão que somos ingênuos, isso está bem, mas pelo menos não somos tão ingênuos para acreditar que as coisas serão resolvidas com países e empresas elaborando objetivos longínquos e insuficientes”.  

Advertiu que se não fizerem o necessário “terão que explicar a seus filhos e aos povos mais afetados o motivo porque se renderam” ao não fazer o necessário.

“Estou aqui para dizer que, diferente dos senhores, minha geração não se dará por vencida sem uma luta”

“Nós, os jovens, somos os que escreveremos sobre os senhores nos livros de história, nós somos os que decidiremos como serão recordados. Por isso, meu conselho é que decidam como proceder sabiamente”, advertiu.

Uma jovem sueca e uma mexicana reprovam os poderosos por suas inadequadas respostas à mudança climática e advertem que terão que prestar contas às novas gerações

Twitter | Reprodução
Greta Thunberg e Xiye Bastida

“As sextas-feiras pelo futuro”

Xiye Bastida, uma das organizadoras do movimento “As sextas-feiras pelo futuro”, foi, com seus 18 anos, a mais jovem das oradoras convidadas à cúpula climática de Biden.

Depois dos discursos bem polidos dos 40 mandatários com suas grandes promessas e compromissos para reduzir as emissões de carbono diante do que o anfitrião chamou de “a crise existencial de nosso tempo”, Bastida não foi diplomática: “necessitam aceitar que a era dos combustíveis fósseis acabou”.  

Exigiu em nome do movimento de jovens sobre a mudança climática muito mais, incluindo eliminar as emissões de gases de efeito estufa até 2030, e uma transformação inclusive. 

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A mexicana cuja família se mudou para Nova York, onde ela estudou e se converteu em uma das líderes destacadas do novo movimento ambientalista, continuou: “Os senhores frequentemente nos dizem que somos pouco realistas e razoáveis. Mas, quem são os pouco realistas e razoáveis com estas supostas soluções nada ambiciosas nem audazes?”

Convidou os participantes a “reconhecer que a crise climática não é só o maior desafio jamais enfrentado pela humanidade, também é a maior oportunidade que temos para mudar o mundo”.  

“A justiça climática é justiça social… temos aa soluções que necessitamos, só necessitamos implementá-las”, afirmou, sublinhando que a crise climática brota de um sistema de exploração capitalista e de uma história colonialista, e onde os mais afetados estão no sul global ou são os minorias afro, latinas e indígenas no norte. Portanto, as soluções requerem a participação dos mais impactados, com um processo para a equidade.

“Os estaremos vigiando”, advertiu Greta

Da mesma forma que Greta, ao pintar as dimensões do problema e as supostas respostas que propõem as cúpulas, acusou os políticos e empresários: “Os senhores é que são os ingênuos”

“Se querem saber por que nós estamos nos levantando é porque estamos na busca da alegria, alegria para nossas comunidades e futuras gerações”.

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Perguntada por uma deputada o que deveria dizer aos seus filhos que estão zangados e assustados com a mudança climática Thunberg respondeu:

“Ainda há muita esperança e sim podemos agir para fazer [o necessário]  E se optarmos por agir em conjunto, não há limites para o que podemos alcançar. O melhor remédio contra a raiva e a ansiedade é tomar a própria ação”.

David Brooks, correspondente de La Jornada em Nova York

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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