Nem 24 horas o magnata tecnofascista Donald Trump conseguiu aguentar para incluir novamente Cuba na espúria lista de Estados patrocinadores do terrorismo, após seu retorno à Casa Branca, depois de comprar a Presidência dos EUA. Ao ato covarde de última hora de seu antecessor Joseph Biden, segue-se esta nova felonia da camarilla governante estadunidense, que na segunda-feira (20) inaugurou um novo período de terror desde Washington.
Como alertamos na declaração de uma semana atrás, não existe razão legal, política ou moral que justifique, não apenas a inclusão de Cuba na espúria lista, mas a própria existência da lista e o papel que os EUA se atribuíram em sua elaboração: trata-se de um instrumento de chantagem internacional que utiliza os países de acordo com os sujos interesses da política doméstica estadunidense e recorre à ameaça para isso. A existência da lista, de forma alguma, tem o objetivo de “lutar contra o terrorismo”, como sempre é um eufemismo para impulsionar sua política imperialista.
O “gesto” de Joseph Biden não ia a lugar algum, nem mesmo para limpar seu duvidoso legado, no qual se incluirá, para Cuba, o fato de ter deixado intactas, no momento de maior necessidade, o conjunto de medidas que agravavam o genocídio em câmera lenta contra o povo cubano. O de Trump apenas confirma que a renovada administração estadunidense optou pela confrontação violenta e desmascarada contra as cubanas e os cubanos, não contente com o dano e o sofrimento causados durante 65 anos, em particular durante a pandemia de covid-19 e nos últimos oito anos. Reafirma, junto à banda de apátridas anticubanos que agora celebram a medida, que a camarilla filofascista que governa em Washington perdeu a razão e só entende a linguagem da força contra os mais fracos. Será necessário defender-se.
Aos que se iludiram pensando que tecnicismos, supostos tempos de espera da burocracia estadunidense, a consideração diplomática à recepção que deram — entre sentimentos reais, uns, e esforços pouco disfarçados para parecer satisfeitos, outros — à medida da semana passada por governos de todo o mundo ou as supostas concessões que o governo cubano tenha feito, dissuadiriam ou atrasariam alguma decisão confrontativa do magnata nova-iorquino, agora só lhes resta, no melhor dos casos, a desilusão e a frustração.
“Não se pode confiar no imperialismo…”
Como evidenciou a dilatada resistência do povo cubano frente aos Estados Unidos, não se pode confiar na lógica, na racionalidade ou mesmo nos legítimos interesses em decisões políticas frente a um inimigo absolutamente irracional e animado por um espírito de revanche e vingança. Atuais, como sempre, são as palavras do comandante Ernesto Che Guevara: “Não se pode confiar no imperialismo nem um tantinho assim: ¡nada!”.
As organizações sociais e movimentos populares de Nossa América e do mundo que acompanharam o povo cubano em sua epopeia contra a guerra econômica estadunidense devem ter clareza de que se trata de uma luta de longo fôlego, contra um inimigo poderoso que não respeita nem sua legalidade nem a ordem internacional e que, nas novas circunstâncias inauguradas neste 20 de janeiro, se apresenta como mais perigoso e desafiador.
Biden tira Cuba da lista de terror e suspende algumas sanções; analistas avaliam medidas
É de se prever que virão dias terríveis e de maior sofrimento para o povo cubano, como resultado das consequências da inclusão da Ilha em uma lista cujas implicações, como foi evidenciado nestes anos, não são apenas retóricas — embora imorais e absurdas —, mas têm efeitos práticos que provocam fome, desespero e miséria.
Frente à atual situação, há, como sempre, cúmplices por ação ou por omissão; a eles, nem a história nem os povos perdoarão por terem se colocado ao lado do mais forte. Não há espaço para meias-tintas: o ato de Trump e sua banda são medidas de guerra não convencional e parte de uma política de genocídio — por ação, por omissão e por intenção —; matizá-lo, minimizá-lo ou justificá-lo, apenas converte em colaboradores necessários aqueles que o fizerem, e sobre eles cairá todo o peso da história.
Também estamos nós, que representamos a dignidade recuperada, que não estamos dispostos a negociar. Frente à pressão e ao chantagem de Trump, como há mais de 150 anos, só resta uma decisão: Viva Cuba Livre!