Pesquisar
Pesquisar

Terceirização: Com apoio dos EUA, Ucrânia contrata serviço de exércitos mercenários

Atuação dessas empresas tem crescido em conflitos armados em diferentes lugares do mundo e lucram anualmente de US$ 100 a US$ 400 bilhões
Gustavo Espinoza M.
Diálogos do Sul
Lima

Tradução:

16 mil mercenários chegaram à Ucrânia para combater ao lado da administração de Kiev e nas próximas horas chegarão outros 20 mil enviados por empresas privadas, em sua maioria dos Estados Unidos. Assim o confirmou Volodymyr Zelenski, o mandatário neonazista da Ucrânia em guerra. 

Foi Heródoto o primeiro a falar sobre o fenômeno dos mercenários aludindo ao Exército Cartaginês da época. A partir de então, o fenômeno foi estudado devido a que muitos jovens se ofereciam para combater em um exército, em troca de uma remuneração ou outros benefícios.

Ao longo da história humana, foram conhecidos casos de significativos exércitos mercenários que conduziram povo e governos a vitórias militares, e a derrotas. Mas, sempre a um custo muito elevado de sangue derramado por aqueles que pereceram, e para os que os contrataram, porque buscavam valer-se de seus serviços para impulsionar uma guerra

Uma das entidades mais conhecidas através do tempo é a Legião Francesa, fundada em 1831. Buscou recrutar desde o início a todos os estrangeiros que serviam nas unidades militares francesas, para que ajudassem a manter o vasto império colonial.  

Com o passar dos anos, a entidade perdeu prosápia e se converteu em uma espécie de bando mercenário que combatia por dinheiro e que era capaz de desfraldar qualquer bandeira em proveito de seus contratantes.

Crise na Ucrânia é produto da Segunda Guerra Mundial inacabada

Uma expressão patética da ação da Legião Francesa foram os dramáticos episódios da Guerra da Argélia desde 1945 até a proclamação da Independência desse país.

Os generais franceses desencantados com Charles De Gaulle, recrutaram gente das filas da Legião e criaram com elas a OAE – A Organização Armada Secreta para valer-se da “ação direta” – ou seja, o terrorismo – a fim de “castigar” aqueles que “traíram a França”, privando-a de sua colônia mais querida no norte da África

Hoje é quase de domínio público que a crescente terceirização do âmbito da segurança, as reduções de orçamentos públicos derivados da profissionalização dos exércitos, e os avanços tecnológicos assimilados por pessoas especialmente adestradas para as tarefas do guerra, multiplicaram o surgimento de empresas privadas e companhias de segurança MPCS (em inglês Private Military & Security Companies).

Assista na TV Diálogos do Sul

Elas cotizam anualmente entre 100 e 400 bilhões de dólares, dada sua crescente intervenção em conflitos armados em diferentes confins do planeta.

Em fins do século passado, com motivo da Guerra do Golfo, obtiveram por parte do Governo dos Estados Unidos suculentos contratos para o cumprimento de tarefas. Ocupavam-se de controlar uma região, tomar cidades ou aldeias, administrar prisões, torturar inimigos rendidos, habilitar centro clandestinos de reclusão, ou cumprir ações que os exércitos regulares não desejavam assumir. 

Poderia dizer-se que ali se formalizou uma modalidade operativa. As guerras sucessivas: Iraque, Líbia, Afeganistão ou Iêmen do Sul e Palestina, a aperfeiçoaram, moldando ressortes que na Ucrânia alcançam outro nível. 

O próprio Presidente da Ucrânia decidiu outorgar a estes “combatentes” chegados ao seu país rangos e privilégios pontuais. E lhes assegurou que na falta de soldados regulares – o exército ucraniano se nega a combater – libertará das prisões formais os presos condenados a prisão perpétua por aleivosos crimes. Desse modo mercenários e assassinos combaterão juntos contra as tropas russas, em troca, claro está, de benefícios e estipêndios. 

Atuação dessas empresas tem crescido em conflitos armados em diferentes lugares do mundo e lucram anualmente de US$ 100 a US$ 400 bilhões

PxHere
Multiplicaram o surgimento de empresas privadas e companhias de segurança MPCS (em inglês, Private Military & Security Companies)

Por essa via, a OTAN encontrou um caminho. Como não conta com efetivos próprios e não pode participar oficialmente da guerra, e como os países que a respaldam carecem da possibilidade de fazê-lo, optaram por contratar os serviços de empresas militares privadas

A elas encomendaram defender localidades, executar sabotagens, promover eventos terroristas, interrogar prisioneiros e organizar esquadras de combate para ações irregulares. 

E prometeu dotá-los de armas altamente qualificadas. É que contam com imensos arsenais entregues por alguns países, e numerosos recursos. Só nos últimos quatro dias, os Estados Unidos dispuseram de um bilhão de dólares para financiar os “operativos de guerra” na Ucrânia. Armas e apetrechos, para que? Para “ganhar a guerra”? Sabem que isso não é possível. Só para que “durem mais”. 

Enquanto mais tempo durem, mais propaganda contra a Rússia se fará, mas morrerão mais ucranianos. Não lhes importa. Verdade? Da Ucrânia já saíram um milhão de pessoas. Não querem defender sua pátria? Não é isso. Não querem imolar-se pela causa de Zelensky, do Batalhão Azov e dos Legionários de Stephan Bandera. Os mercenários são o caminho. 

Para que tudo isto se possa fazer impunemente, a OTAN necessita da cumplicidade de muitos. Por isso ignora simplesmente os requerimentos formais: dá por aprovada na OEA uma “resolução” que nunca foi aprovada, e na qual aparece o Peru como aderente. E o Peru, provavelmente a pedido da OEA, votou contra a Rússia nas Nações Unidas sem reparar sequer que a Força Armada peruana recebe ajuda militar da Rússia. 

A FIFA se filiou à OTAN, se disse ironicamente, pelas decisões desse organismo de sancionar a Rússia impedindo-a de participar em eventos esportivos. Isso foi feito também no Boxe, na Natação, na Patinagem, no Tênis e no Vôlei. Não era que não se devia misturar a política com o esporte, que enquanto a política divide, o esporte une os povos?

Mas se tiram do ar os sinais de RT, Sputnik e outras. “Democracia” se chama isso? Mas também se ataca a cultura: a Sinfônica de Munich despede Valeri Guerguevich; e é impedida de cantar Anna Nebratska. Como qualificar isso? Serão assim “as guerras do século XXI? 

Gustavo Espinoza M. é colaborador de Diálogos do Sul de Lima, Peru


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

Assista na TV Diálogos do Sul


Se você chegou até aqui é porque valoriza o conteúdo jornalístico e de qualidade.

A Diálogos do Sul é herdeira virtual da Revista Cadernos do Terceiro Mundo. Como defensores deste legado, todos os nossos conteúdos se pautam pela mesma ética e qualidade de produção jornalística.

Você pode apoiar a revista Diálogos do Sul de diversas formas. Veja como:

  • PIX CNPJ: 58.726.829/0001-56 

  • Cartão de crédito no Catarse: acesse aqui
  • Boletoacesse aqui
  • Assinatura pelo Paypalacesse aqui
  • Transferência bancária
    Nova Sociedade
    Banco Itaú
    Agência – 0713
    Conta Corrente – 24192-5
    CNPJ: 58726829/0001-56

Por favor, enviar o comprovante para o e-mail: assinaturas@websul.org.br 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Gustavo Espinoza M. Jornalista e colaborador da Diálogos de Sul em Lima, Peru, é diretor da edição peruana da Resumen Latinoamericano e professor universitário de língua e literatura. Em sua trajetória de lutas, foi líder da Federação de Estudantes do Peru e da Confederação Geral do Trabalho do Peru. Escreveu “Mariátegui y nuestro tiempo” e “Memorias de un comunista peruano”, entre outras obras. Acompanhou e militou contra o golpe de Estado no Chile e a ditadura de Pinochet.

LEIA tAMBÉM

Armenia_Otan_UE_Rússia
UE e Otan seduzem Armênia exclusivamente de olho em recursos, alerta Rússia
01c91d77-420a-4c95-a57a-54b9ef4c5f24
Armênia-Azerbaijão: fim de Nagorno-Karabakh não é solução para tensões no Sul do Cáucaso
51576a7e-8747-4410-9309-85428dfe90f6
Em 4 pontos, entenda por que nova declaração da OTAN é uma ameaça direta à humanidade
39335ab3-99d8-4638-a578-30492ee4d76c
Saída de tropas de ilha ucraniana busca viabilizar corredor humanitário, afirma Rússia